"A arte é uma magia que liberta a mentira de ser verdadeira" Theodor Adorno

domingo, 24 de março de 2013

Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift: livro VS filme

Pôster de As Viagens de Gulliver
   Aqui temos o caso clássico de filme que toma o nome do livro e a ideia principal e se transforma em algo muito diferente. As Viagens de Gulliver (Gulliver's Travels), o filme, usou apenas a primeira viagem que é descrita no livro, de mesmo nome, e a mais famosa: Lilipute, a terra dos homens pequeninos.
   No livro, de Jonathan Swift, a época é 1699 quando Gulliver (inglês) embarca como médico-cirurgião no navio Andorinha e sofre um naufrágio, indo parar na ilha de Lilipute, onde encontra uma nação de homenzinhos. Gulliver apaga o incêndio da casa da imperatriz com sua urina e isso é considerado um insulto terrível para o povo. Indo lutar contra a nação Blefuscu, inimiga de Lilipute, o povo desconfia de que o "homem Montanha", como é ali chamado, na verdade está fazendo amizade com o inimigo, e isso culmina em sua saída da ilha.
   Já no filme, de 2011, Lemuel Gulliver é estadunidense, da ilha de Manhattan. Tempo atual. Referências populares. Trabalhando na correspondência de uma empresa de viagens, ele se sente tão inferior aos outros que nunca teve coragem de convidar Darcy (a editora de viagens) para sair. Ele é rebaixado em seu cargo e, nesta noite, vai à sala de Darcy, supostamente para tentar convidá-la a sair. Mas ele não consegue; assim, para fingir que tinha motivos para estar ali, ele pega um arquivo de cima da mesa dela: é uma proposta de artigo sobre uma viagem ao Triângulo das Bermudas, e logo que Darcy pergunta, ele inventa que viaja muito e que escreve sobre isso, o que a faz pensar que ele pode fazer o trabalho. Gulliver consegue o emprego e viaja. Há uma tempestade no mar, e Gulliver acaba por acordar numa ilha. Lilipute. A ilha dos homens pequeninos. De início, ele é considerado inimigo, parceiro de Blefuscu; depois de salvar a casa da princesa do incêndio - urinando lá -, ele é honrado. É convidado a participar de festas, ganha uma casa grande e luxuosa, e aqui seu ego começa a aumentar copiosamente. Na história também há Horatio, plebeu apaixonado pela princesa, que já está comprometida com o general Edward.
Pôster do filme no Brasil
    O livro é um clássico, que contém quatro parte divididas entre as viagens, sendo a primeira a Lilipute. Escrito numa época de política europeia conturbada, o reflexo se mostrou no livro, descrevendo alguns atos políticos de Lilipute e como eram os da Inglaterra. O fato dos homens serem tão pequenos têm um significado "nada é grande ou pequeno, senão por comparação", e no filme isso se dá quando Gulliver pensa que é invencível. Ele nunca foi o maior em nada, mas agora tem sua chance.
   Não posso dizer que foi um filme bom, mas foi divertido. Conhecendo a obra, ao assistir os primeiros minutos de filme eu já sabia que teria de abrir a mente para absorver o roteiro, tão diferente. Dirigido por Rob Letterman, com roteiro de Joe Stillman e estrelado por Jack Black como Gulliver, Amanda Peet como Darcy, Emily Blunt como a princesa, Jason Segel como Horatio, Chris O'Dowd como general Edward e Billy Connolly como Rei Teodoro. A atuação de Jack Black foi indicada ao prêmio Framboesa de Ouro de 2011, de Pior Ator, perdendo para Ashton Kutcher por Par Perfeito e Idas e Vindas do Amor. O filme foi bastante dramático. As falas da princesa e do Horatio, foram um tanto exageradas - e você pode encarar isso como sendo hilário ou pedante. A trilha sonora abrange Kiss, Prince e até Lady Gaga. As filmagens foram feitas na Inglaterra, e algo que me aborreceu um pouco foi ter o personagem principal sendo estadunidense. Acho que neste ponto eles poderiam preservar o original. O filme é mais sobre alguém se tornar egocêntrico do que sobre política. E a única parte de outra viagem que ocorre no livro é bem no finalzinho, e não há muitos detalhes.
   Recomendo o livro e, para passar o tempo, também o filme, afinal, é divertido. Assistam o trailer:


Escrito por MsBrown

2 comentários:

  1. Olá!

    Não é o tipo de livro (e/ou filme) que eu desejo conferir no momento. Mas quem sabe um dia?

    Enfim... uma ótima deixa para quem busca pela trama pautada.

    Um abraço!
    http://universoliterario.blogspot.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Fran. Eu decidi que aqui não ia falar apenas de filmes bons... E eu não posso negar que achei As Viagens de Gulliver um filme divertido. E muitíssimo diferente do livro.

      Excluir

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